Relatório McKinsey Outubro 30, 2007
Posted by hansmichael in Uncategorized.Tags: universidade educação
add a comment
Em tempos de eleição para reitor na UFSC valeria a pena refletir sobre os resultados…
Este é um resumo do relatório McKinsey sobre educação. Saiu na Folha de São Paulo e também está no Blog do Luis Nassif. Para ele o impacto do relatório deve ser semelhante ao relato produzido por Michael Porter na década de 80 sobre desenvolvimento. Tomara…
Recursos e resultados
Tony Blair mudou quase todos os aspectos da política educacional na Inglaterra e no País de Gales, e em muitos casos mais de uma vez. (…) A única coisa que não mudou foram os resultados (…) e isso ao longo dos últimos 50 anos. A Austrália quase triplicou seus gastos por aluno, de 1970 para cá. Nenhuma melhora. Nos Estados Unidos, os dispêndios quase dobraram depois de 1980, e os tamanhos das turmas são os menores de todos os tempos. Uma vez mais, resultado algum.
Os melhores países
Elas foram avaliadas e reavaliadas pelo Pisa (Programa de Avaliação Internacional de Estudantes), da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), e isso serviu para estabelecer, primeiro, que os países de desempenho mais forte se saem muito melhor do que os piores e, segundo, que os mesmos países lideram essas avaliações, a cada vez que são realizadas: Canadá, Finlândia, Japão, Cingapura, Coréia do Sul. (…) Cingapura gasta menos dinheiro por aluno do que a maioria dos demais países. Tampouco de períodos mais longos de estudo: os alunos finlandeses começam as aulas mais tarde, e estudam menos horas, do que os dos demais países ricos.
Contratar os melhores
O primeiro passo é contratar os melhores. Não resta dúvida de que, como declarou um funcionário do governo sul-coreano, “a qualidade de um sistema educacional não pode superar a qualidade de seus professores”. Estudos feitos no Tennessee e em Dallas mostraram que, se alunos de capacitação média forem entregues a professores que estão entre os 20% mais competentes de sua profissão, terminam se posicionando entre os 10% de estudantes com melhor desempenho; caso os professores que os ensinam venham dos 20% menos competentes, os alunos terminam entre os 10% de pior desempenho.
A qualidade dos professores exerce a maior influência sobre o desempenho dos alunos.Mas a maioria dos sistemas escolares não se esforça demais para selecionar os melhores. A Nova Comissão sobre a Capacitação da Força de Trabalho dos Estados Unidos, uma organização sem fins lucrativos, diz que as escolas norte-americanas tipicamente recrutam professores que estão no terço mais baixo de desempenho, entre os formandos das universidades.
A cidade de Washington recentemente contratou como diretora-geral de suas escolas públicas uma integrante da organização Teach for America, que identifica os melhores formandos e os contrata para lecionar por dois anos. Tanto a indicação da diretora quanto a organização que ela representa geraram grande controvérsia.
Paradoxo da turma menor
Quase todos os países ricos vêm tentando reduzir os tamanhos de suas turmas escolares, nos últimos anos. Mas, se não houver outras variações, turmas menores querem dizer mais professores a serem contratados com a mesma verba, o que reduz o salário médio e o status profissional da categoria. Isso pode explicar o paradoxo de que, depois da educação básica, parece haver pouca ou nenhuma correlação entre o tamanho das turmas e as realizações educacionais.
Os melhores profissionais
Na Finlândia, todos os novos professores precisam ter mestrado. A Coréia do Sul contrata professores de ensino básico entre os 5% de formandos com melhor desempenho, Cingapura e Hong Kong entre os 30% de melhor desempenho. (…) Na prática, os países com melhor desempenho pagam salários não superiores à média.
E eles tampouco tentam atrair um grande quadro de interessados para selecionar entre eles os mais bem sucedidos. Quase que o contrário. Cingapura avalia os candidatos rigorosamente antes de admiti-los aos cursos de formação de professores e aceita apenas o número de candidatos suficiente para cobrir as vagas nos quadros da educação. A Finlândia também limita a oferta de cursos de treinamento de professores à demanda. Em ambos os países, o ensino é uma profissão de status elevado (porque é altamente competitiva), e os fundos destinados a cada professor em treinamento são generosos (porque o número deles é baixo).
A competição como motivação
A Coréia do Sul demonstra como os dois sistemas produzem resultados diferentes. Seus professores de ensino básico têm de obter um diploma de graduação em uma de apenas 12 universidades. A admissão requer notas altas; o número de vagas é racionado de acordo com o número de postos de ensino em aberto. Em contraste, os professores de escolas secundárias podem obter seus diplomas em qualquer uma das 350 faculdades do país, e os critérios de seleção são mais frouxos. Isso gera um enorme excedente de professores secundários recentemente qualificados -cerca de 11 por vaga, de acordo com as mais recentes estatísticas. Como resultado, o ensino secundário é uma profissão com menos status na Coréia do Sul, onde todo mundo prefere trabalhar no ensino básico. A lição parece ser a de que a admissão aos sistemas de treinamento de professores precisa ser difícil, e não fácil.
Ensinando os professores
Cingapura provê cem horas de treinamento aos seus professores a cada ano e aponta professores veteranos para supervisionar o desenvolvimento profissional em cada escola. No Japão e na Finlândia, grupos de professores visitam as classes de colegas e planejam aulas juntos. Na Finlândia, professores têm uma tarde de folga semanal com esse objetivo. Em Boston, cidade cujo sistema educacional demonstra um dos melhores ritmos de progresso nos EUA, os cronogramas de aulas são organizados de forma a permitir que os professores das mesmas disciplinas tenham períodos de folga coincidentes, para que possam planejar juntos. Isso ajuda a difundir as melhores idéias.
Como apontou um educador, “quando um professor norte-americano brilhante se aposenta, quase todos os planos de aula e práticas que ele desenvolveu também são aposentados. Quando um professor japonês se aposenta, deixa um legado”.
Sistemas de avaliação
Nos últimos anos, quase todos os países começaram a dedicar mais atenção aos processos de avaliação, a mais comum maneira de verificar se os padrões estão em queda. A pesquisa da McKinsey é neutra quanto à utilidade do método, apontando que, embora Boston teste todos os alunos anualmente, a Finlândia em larga medida abriu mão de exames nacionais.
De maneira semelhante, escolas na Nova Zelândia e na Inglaterra são testadas a cada três ou quatro anos, e os resultados são divulgados em público, enquanto a Finlândia, líder mundial na educação, não tem processo formal de revisão e mantém sigilo sobre os resultados de suas auditorias informais.
Reforço
Mas existe um padrão quanto ao que os países fazem quando os alunos e as escolas começam a falhar. Os países de melhor desempenho não hesitam em intervir, e o mais cedo possível. A Finlândia dispõe de mais professores de educação especial encarregados de ensinar os alunos retardatários do que qualquer outro país -em certas escolas, chega a ser um professor em cada sete.
A cada dado ano, um terço dos alunos recebe educação suplementar em sessões individuais. Cingapura oferece aulas adicionais aos 20% de alunos com desempenho mais fraco, e existe a expectativa de que os professores fiquem na escola depois das aulas -ocasionalmente por horas- a fim de ajudar os alunos.
Al Gore e a Repercussão do Prêmio Nobel Outubro 17, 2007
Posted by hansmichael in Uncategorized.add a comment
Percebi uma repercussão interessante da concessão do prêmio Nobel ao IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) e ao Al Gore. Algumas evidências do destaque:
O Nobel da Terra, editorial de “O Globo”
Apesar de Bush, editorial da “Folha de SP”
Al Gore e painel da ONU levam o Prêmio Nobel da Paz na “Folha Online”
Olhar para a frente dá Nobel ao meio ambiente na “Folha de São Paulo”
Mas achei importante destacar o texto do Paul Krugmann que saiu no New York Times.
Síndrome de transtorno contra Al Gore, artigo de Paul Krugman
O que nos traz à maior razão por que a direita odeia Gore: neste caso, a campanha de difamação fracassou. Ele recebeu tudo que jogaram nele, e emergiu mais respeitado, mais crível do que nunca. E isso os deixa loucos
Paul Krugman, colunista do “The New York Times”, é professor da Universidade de Princeton, EUA. Artigo publicado no “The New York Times”:
Um dia depois de Al Gore receber o Prêmio Nobel da Paz, os editores do “The Wall Street Journal” não conseguiram nem mencionar seu nome. Em vez disso, dedicaram seu editorial a uma longa lista de pessoas que achavam que mereciam mais o prêmio.
E na “National Review Online”, Iain Murray sugeriu que o prêmio deveria ter sido compartilhado com “aquele famoso ativista da paz, Osama Bin Laden, que implicitamente endossou a postura de Gore”. Você vê, Bin Laden certa vez disse algo sobre a mudança climática -portanto, qualquer um que fala sobre mudança climática é amigo de terroristas.
O que tem Gore que deixa a direita maluca?
Parcialmente é uma reação ao que aconteceu em 2000, quando o povo americano escolheu Gore, mas seu oponente, de alguma forma, terminou na Casa Branca.
Tanto o culto à personalidade que a direita tentou construir em torno do presidente Bush quanto a difamação histérica freqüente contra Gore foram em grande parte motivadas pelo desejo de apagar a mancha de ilegitimidade do governo Bush, acredito.
E agora que Bush se provou claramente o homem errado para o cargo -e sim, de fato, o melhor presidente que os recrutadores da Al Qaeda poderiam esperar- os sintomas da síndrome de transtorno contra Gore ficaram ainda mais extremos.
A pior coisa sobre Gore, do ponto de vista conservador, é que ele continua certo. Em 1992, George H.W. Bush zombou dele como o “homem do ozônio”. Três anos depois, entretanto, os cientistas que descobriram a ameaça à camada de ozônio receberam o Prêmio Nobel de química.
Em 2002, ele advertiu que, se invadíssemos o Iraque, “o caos resultante poderia facilmente impor um perigo muito maior aos EUA do que enfrentamos atualmente de Saddam”. E assim foi provado.
O ódio contra Gore, porém, é mais pessoal. Quando a “National Review” decidiu chamar seu blog antiambiental de “Planet Gore”, estava tentando desacreditar tanto a mensagem quanto o mensageiro.
Pois a verdade sobre a qual Gore estava falando, de como as atividades humanas estão mudando o clima, não é apenas inconveniente; para os conservadores, é profundamente ameaçadora.
Considere as implicações políticas de levar a mudança climática a sério.
“Sempre soubemos que o interesse próprio desmedido era moralmente ruim”, disse FDR. “Agora sabemos que é economicamente ruim.” Essas palavras se aplicam perfeitamente à mudança climática.
É do interesse da maior parte das pessoas (e especialmente de seus descendentes) que alguém faça alguma coisa para reduzir as emissões de dióxido de carbono e de outros gases de efeito estufa, mas cada indivíduo gostaria que esse alguém fosse outra pessoa. Deixe ao mercado livre e, em poucas gerações, a Flórida estará submersa.
A solução para tais conflitos entre o interesse próprio e o bem comum é prover aos indivíduos um incentivo para fazerem a coisa certa. Neste caso, as pessoas têm que receber uma razão para cortar as emissões de gás de efeito estufa, seja requerendo que paguem imposto sobre emissões ou exigindo que comprem licenças de emissão, que tem basicamente o mesmo efeito que um imposto sobre emissões.
Sabemos que tais políticas funcionam: o sistema americano de “limites e trocas” de licenças de emissão de dióxido de enxofre foi altamente bem sucedido para diminuir a chuva ácida.
A mudança climática é, entretanto, mais difícil de lidar do que a chuva ácida, porque as causas são globais. O acido sulfúrico nos lagos americanos vem principalmente do carvão queimado nas usinas americanas, mas o dióxido de carbono no ar dos EUA vem de carvão e petróleo queimado em torno do planeta -e uma tonelada de carvão queimada na China tem o mesmo efeito no clima futuro que uma tonelada de carvão queimada aqui.
Então, lidar com a mudança climática não só exige novos impostos ou seu equivalente, mas também negociações internacionais nas quais os EUA terão dar assim como receber.
Tudo que acabei de dizer não deveria ser controverso – mas imagine a recepção que teriam um candidato republicano à presidência se admitisse essas verdades no próximo debate. Hoje, ser um bom republicano significa acreditar que os impostos devem sempre ser cortados, nunca aumentados. Também significa que devemos bombardear e provocar os estrangeiros, não negociar com eles.
Então, se a ciência diz que temos um grande problema que não pode ser resolvido com cortes de impostos ou bombas -bem, a ciência deve ser rejeitada e os cientistas enlameados.
Por exemplo, o “Investor’s Business Daily” recentemente declarou que a proeminência do pesquisador da Nasa James Hansen, o primeiro a fazer da mudança climática uma questão nacional, há duas décadas, deve-se de fato a esquemas nefandos de – quem mais – George Soros.
O que nos traz à maior razão por que a direita odeia Gore: neste caso, a campanha de difamação fracassou. Ele recebeu tudo que jogaram nele, e emergiu mais respeitado, mais crível do que nunca. E isso os deixa loucos. (Tradução: Deborah Weinberg)
(The New York Times, Uol.com/Mídia Global, 16/10)